O espírito de competição, considerado como a principal razão da vida, é demasiado inflexível, demasiado tenaz, demasiado composto de músculos tensos e de vontade decidida para servir de base possível à existência durante mais de uma ou duas gerações. Depois desse espaço de tempo, deve produzir-se uma fadiga nervosa, vários fenómenos de evasão, uma procura de prazeres, tão tensa e tão penosa como o trabalho (pois o afrouxamento tornou-se impossível) e finalmente a desaparição da raça devido à esterilidade. Não somente o trabalho é envenenado pela filosofia que exalta o espírito de competição mas os ócios são-no na mesma medida.
O género de descanso que acalma e restaura os nervos chega a ser aborrecimento. Produz-se fatalmente uma aceleração contínua cujo fim normal são as drogas e a ruína. O remédio consiste na aceitação duma alegria sã e serena como elemento indispensável ao equilíbrio ideal da vida.
Bertrand Russell, in 'A Conquista da Felicidade'
http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200312081050
É muito comum perguntarem a nós, educadores, como é possível formar pessoas com uma concepção ética honesta e solidária e, depois, essas mesmas pessoas terem de se deparar com o "mundo real" das empresas, da competitividade e das leis inclementes de mercado. Aliás, a afirmação é mais direta ainda, especialmente quando feita por pais e mães aflitos: "Sei que devo dar a meu filho uma formação voltada para a cooperação, mas, o mundo lá fora não é assim e, quando ele for trabalhar, vai ter de entrar em uma 'guerra' diária para vencer os outros e sobreviver como um vencedor".
Outro dia, fui novamente interrogado sobre esse difícil dilema. A seguir, recupero quatro reflexões gerais que respondi, antes que nos curvemos, subservientes, à perigosa aceitação do destino supostamente inescapável.
http://revistaeducacao.uol.com.br/default.asp
Naquela escola era um querendo ser melhor do que o outro. O professor Zé da Paixão era um desses profissionais que não suportava quem brilhasse mais do que ele. Por ter feito cursos no exterior se considerava o melhor daquele local, mas isso parecia estar com os dias contados.
A professora Lu era a mais nova contratada da casa. Uma jovem recém formada em Artes e com muita sede de mostrar seus talentos. Em poucos meses tornou-se a professora mais popular. De uma simplicidade e inteligência impressionava os alunos e chamava atenção porque suas aulas fugiam do tradicional. Era tão criativa que encantavam até seus colegas de profissão. Ensinava artes com vontade porque amava falar sobre a cultura dos povos. Suas histórias empolgavam tanto que até o mais desinteressado mudava de idéia. Além do mais, fazia projetos culturais, ajudava em todos os eventos da escola, decoração, incentivava atividades interdisciplinares e o que era melhor: cativava amigos. Esse fato chamou atenção dos diretores que em pouco tempo a promoveu. Isso foi o suficiente para despertar a ira de alguns poucos e do temível professor Zé da Paixão.
Assim que percebeu que estava perdendo terreno dentro da escola resolveu praticar jogo sujo. Colocou alguns alunos contra ela. Inventou mentiras e quando ela passava por ele jogava-lhe indiretas. Procurou todas as formas para irritá-la porque não suportava ver o sucesso da companheira de trabalho.
Ela até tentou ficar mais algum tempo, mas não agüentou tanta perseguição. O clima do local tornou-se insuportável que não deu outra: ela pediu demissão. Uma decisão irreversível que deixou os alunos da escola indignados, mas os proprietários não puderam fazer nada porque o causador do fato já tinha anos de casa e apesar de tudo a preferência era dele.
Competir é bom quando se tem um bom propósito, mas infelizmente ainda existe locais onde a competição é maléfica porque falta equilíbrio entre os colaboradores. Quando percebem que já não têm o mesmo espaço dentro da empresa procuram formas de continuar se destacando. Se não conseguem de forma legal partem para meios ilícitos como sabotagem, calúnias, falsidades e outros males que prejudiquem seus possíveis “adversários”.
Difícil é conviver num ambiente hostil onde a competitividade dar espaço a intrigas e conflitos. Trabalhar com pessoas enciumadas causa desconforto e contribui para um péssimo rendimento dos colaboradores. Essas disputas motivadas pela necessidade de satisfazer desejos pessoais do profissional não propiciam espaço para uma competição saudável. O despeito causa danos a todos porque no fundo todos perdem. Deixa de ganhar a empresa, os próprios funcionários, os clientes, enfim, é sinal de prejuízos. Se não for curto será a longo prazo, mas os resultados serão sentidos de uma forma ou de outra.
É importante que se evite a batalha de egos dentro da empresa. Quem atinge metas em prol de melhores resultados deve ser reconhecido. Agora quem está incomodado que se retire, mas é uma pena porque os que se vão, geralmente, são os que fazem a diferença.
Jefferson Xavier – Jex
http://www.sistemaodia.com/noticias/quando-competir-e-prejudicial-5856.html
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